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domingo, 13 de junho de 2010

O HOMEM QUE QUERIA ENCONTRAR O AMOR



O HOMEM QUE QUERIA ENCONTRAR O AMOR

Um dia um homem saiu pelo mundo querendo descobrir o que era o amor. Fez isso porque viu - num sonho- alguém, que ele não conseguia lembrar o rosto, dizer que era o sentido de todo existir e o estímulo de todo aquele que caminha. Insistia que ele deveria encontrar o amor, no entanto, rosto ele não via. A conversa por ali acabou, e esse alguém não lhe dera mais pistas Só sabia como chamava e por que o perseguiria.

Um dia esse homem – que queria encontrar o amor – achou que encontrara; para o seu profundo desencanto, do sonho ela não lembrava. E ele continuou andando, sem saber para onde ia, e quando pensava em desistir lembrava do sonho que tivera um dia. Por outras bandas esse homem andou e em cada canto que passava jurava ter encontrado o amor. Porém, nenhuma entre elas sabia do tal sonho desafiador. O tempo passou, o homem envelheceu, a procura do amor deixou feridas, mas ele também muito aprendeu, quando pensava em desistir, algo lhe fazia andar, o sonho misterioso que não deixava ele parar.

E por muito tempo esse homem andou, e nenhuma, e nenhum a quem perguntava sabia explicar-lhe onde encontrar esse tal amor. E nessas muitas caminhadas pela vida, esse homem muita coisa topou. Ao procurar uma máscara para o rosto de seu sonho, muito ele amou. Mas o seu amor rosto não tinha, e quando o estímulo se esvaia pegava a estrada à procura do impulso de quem caminha.

Sem perceber, esse homem que caminhava, era também um homem que semeava, por onde andou deixou uma semente - a mais bela, pura e potente-, por onde andou semeou o amor, floriu seus passos com o seu sonho encantador. E a história do homem que queria encontrar o amor tomou o mundo, fez eco e conquistou mentes. Mais pessoas se aventuraram e caminharam em busca desse presente, o estímulo de quem caminha, o encanto de quem semeia a ilusão real desse calor. Assim, a rosa plantada um dia num sonho, se fez floresta no coração dos homens, graças à impossibilidade dele encontrar seu amor derrepente.

Este homem nunca encontrou a pessoa que no sonho lhe falou, mas espalhou o sentido daquilo que o fazia caminhar, por viver dia-dia a busca de uma vida. Como a infância a ingenuidade passou, a juventude a voracidade material levou, com a morte a sua existência se transformou, mas seu sonho, que sempre o fez caminhar, eternizado ficou.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tua luz



E se fez a luz. Então, vimos as coisas, as pessoas, nossas resistências a propria luz. Afinal, é certo que só enxergamos a luz refletida pelos corpos e, claro, numa faixa delimitada. Sem ela não veríamos através dos olhos, mas, quem sabe, somente pelo coração.

Do que é feita a luz? Partícula, onda? As duas coisas... A luz é onda que transporta matéria e se comporta, ora como algo, ora como outro... A luz é um veículo de sensações, é remédio, é fotossintetizante, é energia e constrói uma corrente de elétrons de silício, é fogo e destrói, é tudo e nada...? não sei. É luz!

Magnetiza, encanta, inspira, acalma, é livre, quase livre - é humana? Não, é divina! Só a luz me prende, só a luz me leva, a luz sou eu! Mais... bem mais - eu quero brilhar!

Onde existe luz há esperança. Ela noticia algo de sublime que o tempo guarda para o futuro. Ela anda velozmente pelo tempo e, em nosso tempo, nada criado pode ser mais sábia que ela. Há sombras? Desde quando há luz, mas a dor só existe pela resistência da entrada da luz em nosso âmago.

Às luzes!

Elas brilham o passado e o futuro no agora.

Deixe brilhar a tua luz!

quarta-feira, 31 de março de 2010

É ELA NOVAMENTE


Ela quer chamar minha atenção. Pede involuntariamente para eu prestar atenção nela, demostra fragilmente como ela está pronta (para mim?! Para qualquer um?!). Desesperadamente ela tenta me tocar. Algo soprou para ela que estou me distanciando. Percebera enfim que tomei um rumo. Desespera por sentir que rumo para longe dela.

Acho que sem saber consegui o que queria. Sentia-me assim - feito ela - a um tempo atrás. Mas, no ponto que estou, não sei se é bom, nem bem, ir ao encontro dela. Porém, punjame suavimente a possibilidade de descartar uma oportunidade.

Sem saber, colocou em mim o privilégio da dúvida.

Supostamente eu sei o que ela quer. E ela, saberá o que quer? Pergunto-me, qual é o papel que devo desenpenhar? Voltar? Seguir? Qual é a dor menor?

Sem saber, troquei de lugar com a dúvida.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Página de uma vida


"Vamos nos permitir."



Uma vida em especial me preenche a existência. Uma vida pequena, cheia de vícios, mas que parece guiada para algo maior. Maior que as dores passageiras e até mesmo àquelas que parecem não passar... Uma vida maior que a fuga da ilusão, e a necessidade da fulga da razão não é maior. Uma vida tão cheia de detalhes – tão perfeitamente ligados; própria; simples; incomum; sem sentido para alguns, perfeitamente sentida por mim... Em tudo e em todos.
Onde começou? O porquê de ter começado? Eu não sei. Mas, aqui estou e nenhuma pílula, nem a vermelha, nem a azul, pode negar isso. Para onde vou? (...) Nem o silêncio depois de uma bomba, fruto de um turbilhão de pensamentos, pode afirmar com certeza. Provavelmente, primeiramente... Não sei mentir. Então calo, sem saber por onde ir.
Essa vida me deu tudo de bom que tenho e mostra, dia-dia, os obstáculos que impedem que seja bom tudo que eu tenho. Essa é a vida mais difícil de entender. Nessa, é difícil demais escolher... Mas, nem por isso, desisto de entendê-la, deixo de escolher, deixo de vivê-la!
Essa vida é até difícil de descrever. É como se olhasse uma paisagem, seus detalhes, seus traços marcantes, e percebesse que junto a meus pés a paisagem se misturasse ao meu corpo, formando uma coisa só...
Enquanto olhava para mãos, pernas, braços, espelho... Percebia que ela não acabava ali. Olhando no reflexo dos meus olhos eu vi um ser que gritava - emocionado - e dizia (o que ele dizia?): viva! Ele vivia...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Homem do campo



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O homem do campo é um homem simples. Ele é a sua tradição é a cópia da simplicidade com que leva a vida, com que foi levado por todo o tempo. É simples nas atitudes, nos gostos, na educação.
O homem do campo ama simplesmente. Ama a terra, ama o animal. Ama seu cachorro. Ensina seus filhos com a mesma devoção que prepara sua terra. É fiel a seu cavalo, a sua honestidade e a sua religião. É um homem diferente igual a tantos que simplesmente vivem por ai.
O homem do campo é um forte. Nasce humildemente numa terra nua. Raramente vê a chuva. - O sertanejo simples. Tira sua mantença da força de seus braços e do suor de sua cara. Convive com a morte desde cedo. Sobrevive por sua força e preserva suas tradições. Mas vive, é forte. Sua força esta em suas origens.
O homem no campo não separa de suas origens nem no nome. É Flora de João Batista, Antônio de Dominga, Rosa de Leonardo, Atenor de Seu Gino, Zezim de Noratina e por ai vai...
No campo a vida é mais simples, mais perto da paz, mais próxima da felicidade...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Na Linha do Tempo


Um ano de amadurecimento. Nunca pensei que pudesse mudar tanto em um ano, mudar ao ponto de ter a certeza de que antes não era a mesma pessoa que agora. Um ano de batalha. Nunca pensei que pudesse levar uma nova idéia tão à sério que não conseguisse, no agora, viver sem ela. Um ano de conquistas. É até difícil, imaginar sem essas mudanças, sem essas claras idéias que me fazem ser um ser diferente do que fui; um ser mais feliz; um ser com mais paz.
Já é tradicional postar, perto do novo ano, um texto sobre o ano que passou. Talvez, aproveitando um ímpeto comum, em todos, nessa época. E, só por ser algo comum a todos, ou quase todos, já vale a pena ser repetido - tanto que lutamos pela igualdade, é necessário, quando chances houver, colocarmos ela em prática.
O trabalho. Tirando o lado maligno do trabalho, representado pelo temido sistema que nos rege - que nos é interior, que nos alimenta e é por nós alimentado, criticado por muitos -, o trabalho é um exercício de conhecimento. É oportunidade de se tornar mais sociável, promover a auto-tolerância e a urbanidade, por em prova nossa moralidade, aprender a exercitar o poder - sem deixar ele nos corroer. Trabalhar é dignificar, no momento que enxergamos no nosso trabalho um fim social e no nosso relacionamento com o trabalho um fim moral, humano e digno. Mas do que o salário no fim do mês, a retribuição do trabalho é o esforço que traz a internalização de nossas obrigações, do respeito, da cordialidade e do coleguismo com nossos parceiros de profissão... O homem profissional, diferente do homem afetivo, diferente do homem recreativo é um homem que tem dentro de si suas obrigações...
Limites. A gente nasce para aprender limites. Pelo menos, as gentes como eu: livres de mais; que não enxergam obstáculos intransponíveis; que vive querendo voar e que voa querendo viver. Limites, para gentes como a gente, é um árduo aprendizado. Se a falta não os põe, o excesso encarrega de exteriorizá-los. Tenho que ser sincero: não gosto de limites. Mas, são necessários.
A sinceridade, falar dela me lembrou do quanto perdemos por não sermos mais sinceros. Não que seja uma atitude absoluta, que não mereça - limites -, mas deveria ser mais valorizada em nossa forma de viver atual. Das milhares de coisas maravilhosas que aprendi esse ano, dos tantos momentos únicos e inesquecíveis, dos companheiros e companheiras novos, antigos, recentes, dos que se afastaram, dos que se reaproximaram, nada é tão valioso quanto o poder do querer. Coisas maravilhosas acontecem quando mudamos para uma atitude ativa: coisas acontecem quando saímos da inércia.
Aprender a dar valor às coisas que você gosta. Pô cara, muitas coisas são difíceis de enfrentar, mas, se realmente nos faz bem, covardes seríamos se não enfrentássemos qualquer obstáculo por elas. Viver é mais fácil do que pintam... E, mais difícil do que sonham.
No fim, irei falar do meio, algo que alguém me disse, e talvez seja a coisa mais importante que ouvi esse ano. Aprender a cortejar o equilíbrio - parafraseando o Renato que encontrava o equilíbrio cortejando a insanidade - tem de ser um exercício constante. Não sei como você vai encontrar o seu equilíbrio, mas é fundamental encontrá-lo. O termo do meio - a equidade de Aristóteles... Talvez, em dadas situações, a melhor saída seja o caminho do meio...
Abraço para todos e que venha 2010!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DO MENINO QUE FUI



De uma fronte que saltava aos olhos, magricela - o que induzia a velocidade -, esperto, bem miúdo – pés pequenos -, grandes olhos – verdes olhos -, meio que assustado, sonhando. Sonhando...
Não sei de quem peguei o respeito, mas novo como era – a cabeça a se formar - o respeito que tomara, tomou-me. Envolvido pelo respeito eu cresci. Mas, em mim, cercado pelo respeito, aumentava uma chama, uma lança de enfrentamento. Um calor me perturbava, e esse calor perguntava. Perguntava...
Eu via o que só eu via, talvez por isso o que só eu via, somente eu entendia. Às vezes, via à mais, por outras, de menos eu via. Via grandes florestas, onde só mato havia. Via a perfeição dos contos de fadas, onde o caos reinava. E, acreditava no que eu via – ou achava que via. Acreditava...
Uns diziam que era ladino, outras que era lindo, mas o adjetivo que mais me intrigava, era quando minha avó, do canto do olho me olhava, encabulada deflagrava: esse menino, ah! Como é surdino...!Para ela, eu jogava a pedra e escondia a mão. Dependendo da ótica, uma deslealdade ou um meio eficaz de defesa e adaptação. Adaptação...
Mainha sempre insistia para o estudo. Eu sempre reclamava: queta mainha, pra que tanto estudo?Ela, eu tenho que agradecer. O sentido da minha vida foi plantado nesses dias. O conhecer. O conhecer...
A infância é o maior tesouro que eu trago em mim. Meus valores – os maiores. Dos meus amigos – os melhores! Dos sonhos, os mais doces. Os mais doces...

sábado, 28 de novembro de 2009

Hipnose


Sinto as luzes estimularem meus olhos, que fixos deslizam sem enxergar absolutamente nada. O pensamento, cavalo veloz, ganha asas e galopeia pelos planos transpostos nestas três dimensões do espaço. Agora, sou mil, mil e um soldados protegendo um único ideal: o ideal de ser um indivíduo.
Quanta amargura por não andar de mãos dadas. A vida é um estrada que faz andarmos por horizontes distantes. Se, nós nos esforçássemos mais em procurar objetos que estejam a altura de nossos olhos, sorriríamos mais conquistas e lamentaríamos menos com as dificuldades.
O pássaro sobe. Aumenta a altitude em cada batida de assas. Agora, está distante de qualquer olhar, mas ainda está sobre o mar, composto que reflete um azul. Agora ele está livre, mas algo que não depende de sua vontade faz-lo mergulhar no abismo rarefeito, acelerado pela gravidade vê o mar crescer sobre seus olhos.
Como o pássaro, sinto-me agora. Inseguro e assustado. A luz no fim do túnel mais parece uma locomotiva se aproximando. Sufoca-me como se uma corda enlaçasse meu pescoço. Um nervosismo inocente me desloca para um lugarejo que anula minha razão. Um estalo. Um choque de correntes estridente me traz a realidade e vejo as horas galoparem, como o meu pensamento; o peito me aperta. Os ponteiros não param de girar. Vejo que já não é hora de escrever. Deixo a caneta sobre o papel e não tenho tempo de reler o que eu vi.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

CARTA DE DESPEJO

CARTA DE DESPEJO

Ilusão da Conceição,

Eu, Iludido da Silva, quem opera essa caneta no presente momento, decidido, magoado, com o orgulho ferido, perante minha consciência, uma cerveja pela metade e ao som de Waldick Soriano, faço chegar ao conhecimento de vossa insolência máxima esta CARTA DE DESPEJO, para que a senhorita, Ilusão da Conceição, bonita, burra, insuportavelmente idiota e com certeza futuramente arrependida, desocupe a posse e leve todas as suas tralhas e lembranças íntimas do CORAÇÃO de propriedade da pessoa que a essa subscreve, localizado no lado esquerdo do peito, não muito grande, de cor vermelho-sangue, agitado( vide os vários pulos desenvolvidos incansavelmente). Local gentilmente cedido, sem muito espaço porém com muito conforto, que, no tempo do início da ocupação, pela ora despejada, se encontrava em excelentes estado de conservação e, como pode ser facilmente comprovado, o mau uso feito pela Srª. Ilusão deixo-o praticamente em pedaços, não restando outra saída se não a última via de civilidade demonstrada por essas linhas.
Peço a vil possuidora que ao deixar meu coração entregue a sua respectiva chave de bom grado, pois a vida segue e não é recomendado, pelas normas brasileiras de culinária e paixão, que meu órgão vital – para evitar dúvidas, MEU CORAÇÃO - fique por muito tempo desocupado.
Sem mais, aguardo o cumprimento confiante no mínimo de dignidade que ainda lhe resta.

Vai com Deus, e não precisa dar tchau,


Iludido da Silva

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Olhe para ele...

Como ele foi ingênuo. Tudo que falava à ele, ele acreditava. Aliás, não! – Nem tudo. Ele – lembro bem – nunca aceitava elogios, dizia: - elogios estragam as pessoas, mas é bom ouvir - e sorria. Ah! Como ele sofreu por essa ingenuidade.
Lembro quando ele deixou de sair à noite, para a pracinha da cidade, porque lhe diziam – ou ele acreditou enxergar nos olhos alheios - que não era a altura do lugar. Ele acreditou, quando disseram para ele, que ele era feio e sem graça. Os elogios da família e de uma garota não bastavam. Pobre lindo garoto ingênuo, perdeu seu desabrochar por covardia.
E, - quando lhe disseram - que ele não era brilhante, que sua criatividade era medíocre e que as letras não combinavam com seus textos,  ele acreditou. E passou a só a ver ignorâncias suas – passou a cometer muitas brutalidades por acreditar ser limitado. Quanta ignorância por ingenuidade, se, ao menos, tivesse um pouco mais de experiência e percebesse o mundo a sua volta com mais segurança.
Ele conseguiu acreditar, por pura ingenuidade, que ela não o amava. Queria-a, mas não pode com seu lado estúpido que gritava, feito louco – ela não quer você, ela não quer você! – um ingênuo louco, só lhe sobrou as poesias e por fracas que eram o tempo o transformou em um poeta morto. Morto e ingênuo. A ingenuidade ele não perdeu.
Como ele foi ingênuo. Tudo, que falava a ele, ele acreditava... Tsc, tsc, tsc...

sábado, 4 de julho de 2009

Salva-dor


Percebo um sentimento diferente quando sinto esses ares. É particularmente agradável estar aqui em Salvador, ter comigo esse quê de esconderijo, essa parte de mim tão íntima em meio a essa imensidão. Aqui eu sou mais aquele ser que a gente só é na intimidade. O peso das máscaras desaparece, o campo minado das relações passadas se transformam em um horizonte plano, onde posso correr, sentar, apreciar a paisagem, em fim aqui tenho mais liberdade!
Não, que eu não goste de minha cidade, do meu interior, interior que sempre muda, que dinamicamente se transforma, normalmente, porém não deixa de meu ser, não some seus estigmas, não desaparecem suas figuras fortes, pilares de uma personalidade em formação. E, assim sendo, é sempre difícil enfrentar tais padrões em pleno clima de reforma. É, estou em clima de reforma, procurando dentre os destroços algo para aproveitar, olhando para os exemplos tentando me inspirar, disposto a errar e colher acertos dos erros que virão.
E aqui em Salvador errar é mais fácil, não tenho, ainda, a pressão de sempre acertar. Talvez, isto seja o que de mais valioso aprendi, nesses últimos tempos: a vida não é um contínuo de acertos, mas sim a dinâmica do acertar e errar, tendo ambos o mesmo peso se soubermos aprender com os erros e acertos. Na vida, errar não é um ato nulo, diferente do que nossos professores, involuntariamente talvez, nos ensinam em suas avaliações. Aqui, nesses ares, o erro é aceitável. Lá, no colo de meu afeto, no trono de minha imagem mais idealizada, um erro causa muita dor, não só em mim.
Aqui no litoral a umidade faz fluir os sentimentos, olhando para o ar percebo suas diferenças, posso distingui-los, me ajuda a entendê-los. Eu adoro esse lugar, meu peito infla, minha áurea se torna mais livre. Um perigo, um delicioso perigo!
Gosto de me sentir assim, gosto tanto que conto para vocês aqui...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Do Vale à Graça

No caminho que liga o Vale do Canela ao bairro da Graça, se encontra a Faculdade de Direito. Poderíamos até dizer que ela se situa entre o vale da esperança, carregada de sonhos, e o alcance da graça, símbolo da concretização desses sonhos. A faculdade é ponto de ligação de dois caminhos que intrinsecamente se comunicam.
Dos meninos e meninas que sonham ao entrar nessa nossa faculdade, aos homens e mulheres que lutam para sair, uma distância considerável se encontra. Essa distância é gradativamente vencida por degraus, e esses formam uma verdadeira escadaria, com direção certa, porém sem consenso sobre o sentido.
O que de objetivo dá-se para tirar do avanço ou do retrogradar de quem tanto sonhava no primeiro dia de aula, e depois, pela ação do tempo e das experiências, tantas angustias vislumbram no dia de sua formatura? Em que sentido andara aqueles que, consciente ou inconsciente, deixaram de lado os sonhos de outrora? Será que eles subiram ou desceram as escadas do vale à graça?
Porque aquele que sonhava mudar o mundo cedeu a um mundo que o mudou?
Porque os sonhos coletivos se transformaram em objetivos individuais e individualistas? Porque entramos pós-modernos e saímos positivistas? Porque sonhar é inocência e competir é maturidade? Que é o mistério que formata as pessoas do curso de Direito? Porque todos seguem a mesma correnteza?
Não é fácil responder essas perguntas, mas o certo é que essa correnteza não pode prevalecer, porque ela é fraca! E, é fraca porque é uma correnteza que compete entre si.
Fugir desses questionamentos é se prender numa caixa azul, de pilares cilíndricos e paredes de vidro.
Refletir sobre esses questionamentos é procurar se conhecer, e então, adquirir capacidade para tomar as rédeas do seu próprio destino profissional.
Se conhecer é o primeiro passo para estabelecer um sentido para a caminhada do vale à graça. É o melhor jeito de não transformar o objetivo dessa caminhada numa desventura.
Se conhecer é ter a coragem suficiente para acreditar naqueles sonhos que impulsionaram a caminhada do Vale do Canela ao bairro da Graça, passando pela Faculdade de Direito. E então poder dizer, eu não quero fazer concurso, como todo mundo! Eu não quero vestir terno igual ao de todo mundo! Não quero ser corrupto, e quero ser imortal como todo mundo!
Ou não, e ter a mesma coragem pra dizer, eu quero ser assim, eu quero ser isso. Poder então gritar, eu quero ser feliz com minhas diferenças, e não quero somente uma semana de diversidade, eu quero exercitar infinitamente minha individualidade feita de sonhos, diferenças e liberdade.

Pequena cidade, dia da formatura da filha de um pai orgulhoso,

Hoje queria dar a você um prezente, podia ter carpido a roça do Jaão e ganhado dinheiro pra comprar para você uma ropa bonita, ou um buqê de flôr. Podia ter feito um daqueles hominhos de barro que você tanto gostava, mas não, quis mostrar pra minha filha doutora que posso até escreve um a carta. Sei que as palavras não é das mais bonitas, e sei também que não sou bom com acentos e virgúla, mas sou sincero quando falo que suei para escreve e corrigir essa carta minha filha. Quero que você veja que por você fasso qualquer esforço, até porque eu te amo e isso não é nada perante o quanto eu te gosto.
Mas não escrevi essa carta só pra dizer de mim. Dá vontade até de ri, quando lembro de tantas traquinagens que você aprontava quando menina, das vez que você errou por inesperiência até por não ter tido a oportunidade de saber como é que se fazia antes de ter errado. Mas fico feliz porque você aprendeu, você cresceu e vai ser doutora. Mais do que a alegria que você ta sentindo hoje, é a felicitação que se encontra aqui dentro de meu peito. Perdoe esse velho pai que não tem trato com as palavra. Que nunca foi homem de letras

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Mais um ano se encerra, o momento é de reflexão. "É hora de olhar para trás e analisarmos o que aprendemos no ano que se passa", - além de percebermos se vimos cumprindo o que foi aprendido no acúmulo de nossa jornada. É também, momento de olhar para frente, de definir metas e delinear planos, é uma época única de renovação, e não podemos deixa-la escapar, nem pelo rancor, nem pelo pessimismo - podador de nossos sonhos.
Eu aprendi muito no ano que passou. Aprendi que uma lição não se aprende completamente antes de ser colocada à prova; aprendi que certas coisas dependem de força de vontade para acontecer. E, aprendi a me dar por vencido, quando a angustia de derrotas seriadas, apontam para um momento de tranqüilidade. Aprendi que somente doar amor não basta para que esse amor seja infinito, é preciso doar de coração aberto, sem desejar, nem muito menos exigir, nada em troca. Aprendi que fazer mal a você não prejudica somente seus interesses; notei que o autoflagelo não sabe para onde está nos levando, "já o sacrifício na luta pelos nossos objetivos, é uma luz que clareia nosso caminho e nos faz entender a vida de uma forma mais lúcida". Eu aprendi ainda, nesse ano, que tudo tem o seu tempo, e às vezes o tempo chama por nós de uma forma apressada, mas necessária, e outras vezes ele nos alerta que estamos nos precipitando desnecessariamente. Aprendi que hoje vale mais olhar para trás, e repensar o futuro do que sair correndo por ai querendo abraçá-lo, sem nem saber, se ele realmente nos pertence.
Hoje sei, vale mais enfrentar os medos e se ferir do que se ferir com o medo das perdas. É uma nova época, para um homem novo, que agora nasce.
- E o seu aprendizado, já refletiu sobre ele? As promessas, a prática do aprendizado do ano anterior foi colocado em prática? - As minhas não.
Continuo errando, pelos mesmos erros de antigamente, porém hoje sou consciente desse meu erro cíclico, de reviver erros passados, e prometo me esforçar para mudar, começando mudando esse final.
Com essa introdução, que eu escreva a minha história nesse ano de 2009, com muitos "fatos, pensamentos e poesias"...

FELIZ 2009!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008


O sabor do conhecimento é insaciável. Acompanhado de um sentimento preenchedor que não se esgota para aqueles que olham as coisas sem preconceitos, sem medo de compreendê-las e respeitando seu caráter sagrado. É de espantar, estupefacto, a engenharia detalhista que sustenta os conhecimentos culturais e as sabedorias populares. Tamanha é a liga de simplicidade e efetividade, que é inafastável o sentimento de preenchimento proporcionado pelo contato com esses saberes. A sabedoria cultural e popular é fonte de um conhecer infinito, por ser construída de uma forma histórica, com o passado influenciando no presente e o futuro influenciado pelo passado.
Quando contrasto com o rigor técnico e a perfeição de resultados do modelo de ciência que dominou a modernidade, sinto o mesmo espanto, porém com uma pitada de medo, traduzida pelo frio na barriga que o compromisso e a responsabilidade que esse tipo de conhecimento traz. Por ser abrangente e interligador anseia por conhecer todas as coisas; mas sempre há coisas à conhecer.
Pois bem, não importa como apreendemos, é preciso saber/viver. O saber é acima de tudo viver.
No fundo, o que realmente vale saber é que temos que usar nossa cognição para chegarmos a verdade. A inteligência proporciona a vida e a única afirmação que importa, de verdade, é que ainda temos oportunidade de viver/saber.

domingo, 22 de junho de 2008

Por que não se entregar de cabeça em qualquer sentimento?

Porque todo sentimento é produto de uma inter-relação, logo a sua medida nem sempre coincide com a medida do próximo. Há a fase da idealização do outro, nessa fase nós profetizamos aquilo que não conhecemos. Completamos a personalidade do ser com aquilo que nós gostaríamos de ser, ou de ter. Essa é a fase mas perigosa, mas também há mais intensa de um relacionamento.
O tempo passa, e muitas ilusões ficam para trás. Toda ilusão desaparecerá um dia. Com material mais verossímil começa-se a ter uma visão diferente do outro, não é mais o herói, agora o outro é mais próximo de nós. Nesse ponto firma-se, ou não, um sentimento. Nesse instante é o momento para delinear com mais precisão o que sentimos, é a hora de nomear o sentimento: saber se é amor, se é amizade, se é atípico. Aqui é o momento da escolha. Todo sentimento é uma escolha, para seguir em frente, nesse momento, é inevitável a manifestação da vontade clara e livre de vícios.
Da certeza da escolha inicia-se a construção, nessa fase o sentimento dos dois começam a se tornar um só sentimento. É hora de maximizar a confiança, de enfrentar com bravura as provações, porque elas virão! Somente a partir da certeza de um sentimento, somado com as provações necessárias para o seu enraizamento é que se poderá então viver plenamente um senti-mento. Aqui não existe o jogar-se "de cabeça", nesse estágio navegamos com tranquilidade, por saber das curvas desse mar, de seus desvarios, de suas manhas.
Portanto, todo sentimento é construção, e toda construção pede cautela.

terça-feira, 10 de junho de 2008

O CONHECER

A busca pelo conhecimento é um intrigante caminho, e considero, como sendo, um dos mais importantes que o homem deve trilhar. É intrigante na suas múltiplas aparições e importante no efeito causado. Viver é sempre um aprender em última análise.

Conhecer é um estado de busca constante. Buscamos as mais variadas coisas, sobre os mais variados motivos. Na acepção substancial do conhecimento o importante mesmo é buscar. Essa busca deve encerrar em si uma inquietação inicial do ser, que geralmente nos leva ao buscar. Logo, para aprendermos necessitamos da força inicial que nos faz buscar, que chamo de: problematização do viver. É a dúvida que desnormalisa uma dada situação. Se estivermos sempre tranqüilos e estáveis diante de determinada situação da vida não pode surgir daí um conhecer. A tradição, ou a técnica, também é conhecer, pois a sua existência pressupõe um problema inicial que fora sanado com o conhecimento, porém não será conhecimento se no processo de transmissão dessa técnica ou repetição cultural/tradicional não encerrar em si o entendimento da problematização que levou a busca de determinado objeto, idéia ou estado. Conhecer é buscar e aquietar essa busca, repetir não é conhecer, ma sim mimetisar respostas para situações semelhantes.

O aprender causa uma quietação do ser, sendo assim, é uma forma de equilíbrio, uma forma de pacificação e uma forma de libertação. Em nossa sociedade atual, o equilíbrio, a paz e a liberdade são valores tão raros, que, hoje em dia, o conhecer é extremamente necessário. O salto quantitativo das formas de vida do ser humano, associado a um recente salto qualitativo no domínio da natureza e de seu mundo interior, fez com que a busca ao aprendizado se tornasse urgente.

Conhecer e viver estão intimamente ligados, pois ambos são um percorrer de um caminho, um deslocamento de um ponto para outro. O homem que nasce, permanece e morre, sendo que, não desenvolve, uma sequer, aspiração cognitiva, que lhe faltava anteriormente, não vive, mas somente existe.

Busquemos o aprender, façamos do viver um estado positivo capaz de proporcionarmos a liberdade o equilíbrio e a paz.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A PEDAGOGIA DA FELICIDADE


O dinheiro traz felicidade?
As pessoas ainda pensam que o dinheiro pode comprar a felicidade, isso porque, ligam a felicidade somente aos bens materiais, fenômeno comum da filosofia consumista vendida pela mídia e pela sociedade capitalista em geral. Ser feliz é possuir bens? Isso, ao contrário do que pregam as propagandas atuais, deve ser problematizado, e não aceitado como uma verdade absoluta.
Comprar, comprar, comprar, onde isso vai parar? Na verdade ai está o grande “X” da questão, não há um local seguro para se parar. O consumismo é uma via de mão única, se alguém confere a felicidade como sendo algo diretamente proporcional ao consumo, sempre haverá lugar para mais um produto na estante, e se não houver lugar, joga-se fora o desatualizado e compra-se o mais atual.
Sem dinheiro, no mundo atual, não tem como se viver. Concordo com a afirmativa, porém não posso concebê-la de forma absoluta. Dinheiro é importante numa sociedade que tem que promover sua segurança, defender sua saúde, desenvolver sua educação e seu conhecimento sem a ajuda efetiva de um Estado-promotor de bem estar social. Porém condicionar a felicidade a um salário alto é no mínimo restringir algo que em si é infinito. A felicidade é uma procura infinita por melhorar-se, mas não entendo essa infinitude como o prisma do consumo em massa. Antes, porém, como sendo o aprender constante, e conseqüente diminuição na quantidade de erros que geram tristezas. Sob essa perspectiva continua sendo uma busca infindável, contudo segura, porque embasada nos pressupostos da ética e da moral como um todo.
Aprender, aprender e aprender, ao contrário do consumir, tem o diferencial da correlação, pois o aprendizado é um processo dialético e bilateral, o ser humano muda-se constantemente e por isso promove a infinita reconstrução do mundo em sua volta. A felicidade é um caminhar em missão. Até mesmo numa situação hipotética para o nosso mundo, aquele que detivesse todo o conhecimento ainda teria uma missão a cumprir, transferir esse poder de ser feliz aos outros seres. Seria, para esse “conhecedor de tudo”, um teste para seus ideais, e para suas verdades, e no final também se converteria em aprendizado.
Ser feliz, para alguns pode ser a procura por acumulação de bens e produtos, porém não adianta essa pessoa possuir todo esse poder patrimonial e não ter as virtudes que levam o homem à paz. A pedagogia da felicidade vai prevalecer nesse processo, pois se não houver nesse acumulo material um mínimo de eticidade, de amor próprio e amor ao próximo esse processo de crescimento não trará a felicidade sonhada. Isso porque a segurança pretendida com o conforto é uma segurança externa, e a segurança interna só se encontra com a paz. A saúde que se pode deter com o acúmulo de bens é uma saúde instituição, não uma saúde estado, pois o verdadeiro bem-estar se produz com o bem viver da mente e do corpo, essa é a saúde que previne e não a saúde que remedeia. Nos mesmos moldes a educação. Esses pontos comuns são definidos de formas diferentes se encaramos o viver de formas diferentes.
Não se pode confundir saúde com hospital, como não se pode também restringir educação à escola, no meu entender tudo isso implica em processos bem mais amplos que redefinem toda a sua essência.
Aprender é viver. Saúde e viver bem. Viver em paz é ser feliz, essa é a pedagogia da felicidade.
Nota: essas linhas são reflexões a cerca da felicidade. De forma alguma pretendo apresentar uma receita para sermos felizes, sou tão limitado e tão humano quanto a todos, e ainda estou em processo de conhecimento do que seja realmente essa felicidade.

terça-feira, 29 de abril de 2008

EU QUERO FALAR




EU QUERO FALAR


O principio constitucional da ampla defesa é um direito fundamental humano. Avanços tecnológicos e catástrofes sociais são variáveis que influenciam diretamente a proteção desses direitos. O advogado tem papel inafastável na concretização do direito fundamental da ampla defesa.
O principio constitucional inserido no artigo 5º, LV, da Constituição Federal Brasileira descreve um direito inerente à qualidade de pessoa, que não pode ser privado nem ao pior dos criminosos. Estou falando do principio constitucional da ampla defesa. A ninguém é exigido, ou imposta a renúncia da sua defesa. A defesa é um pressuposto essencial à idéia de justiça.
Graças a Hegel e sua dialética um mínimo de eqüidade e justeza na procura da verdade necessita de uma tese, uma antítese, para se ter então uma síntese, substrato dessa verdade pretendida. A antítese num processo jurídico seria garantida pela defesa. Mas não basta que haja qualquer defesa, a defesa tem de ser válida, o que pressupõe capacidade de influência na decisão. Não se pode ter um resultado obtido por pré-julgamento, somente nessa hipótese se dispensaria a defesa, o que é incabível. Ora, se a defesa não tem capacidade de influir na decisão final logo essa defesa não é válida, não é ampla. A ampla defesa permite que as partes e suas verdades lutem em pé de igualdade. Afinal, como dizia Nietzsche a verdade é relativa, entendida como sendo uma preposição propalada por um emissor e aceita como verdadeira por um receptor.
A ampla defesa era dispensada nos tempos anímicos em que o homem julgava de acordo com o seu bel prazer, sem se importar com verdades, com direitos ou com as conseqüências dessas sentenças. Nessa forma, muitas e muitos inocentes foram queimados, cabeças foram degoladas e outros tantos apedrejados.
Hoje em dia, o mínimo de respeito à qualidade do ser humano em um processo de conhecimento de determinado fato, prescinde a ampla defesa como substância essencial de tal processo.
O advogado tem papel essencial na efetivação da justiça. Ecoa tão uníssono esse pensamento que há previsão Constitucional nesse sentido (art. 133). O advogado de defesa, muitas vezes visto como o “advogado do Diabo” é, pelo que foi arrolado acima, figura indispensável para a efetivação da justiça. Ouso afirmar que se houver um processo Divino o “advogado do Diabo” terá seu lugar garantido, como pressuposto de Justiça. Os processos em que a verdade é proclamada sem chances de defesa, é no mínimo um processo covarde.
O advogado além de ter direito a defender a sua verdade, terá de oferecer uma verdade convincente, pois a defesa tem de ser ampla. Até mesmo o pior dos crimes tem de observar o direito fundamental à ampla defesa, para que possa por meios minimamente justos ser obtida uma decisão satisfatória.
O advogado figura como ser competente para fornecer a pessoa acusada, que necessita de defesa técnica e capaz, a ampla defesa, podendo assim influenciar a decisão judicial.
Logo, a menos que queiramos voltar aos tempos da barbárie, temos que admitir a presença dos profissionais que animados pelo lucro, convicções ideológicas ou pessoais, figuram como peças essenciais à construção da Justiça. Portanto, amigos e amigas, não mais queimaremos como Judas, que, aliás, nunca teve ampla defesa, os advogados que defendem as suzane ristofes ou os alexandres nardones que possam surgir por ai.

quinta-feira, 24 de abril de 2008


O PODER DA VONTADE



Nos tempos atuais de indefinição humana não há como ter segurança. O homem nunca foi previsível, mas agora ele testa, de formas nunca vistas, os seus limites de criatividade. Acontece que essa criatividade nem sempre é benéfica ou imposta para um bem social. Viver criticamente passa ser uma experiência intrigante, relativa e perigosa.
O ser humano é inexato por natureza, a sue incompletude é o que faz ele ir a diante, é o buscar interminável para se compreender, a busca do fechar do ciclo e, então assim, poder regular e comandar seu próprio caminho. Nessa caminhada incessante o homem avançou as águas desconhecidas, caminhou por terras inabitadas, avançou para o espaço, e hoje o universo não parece mais um objeto singular. Filosofou, estudou, teorizou e profetizou tudo que estava a seu redor. Por essa busca, o fechar-se do ciclo, o homem se lançou para dentro de si, se conheceu anatomicamente, se encantou por sua mente, analisou comportamentos e definiu papéis para os seres inseridos em um meio social. Continuou filosofando, estudando, teorizando e profetizando sobre tudo que lhe perturbava a alma. O ser humano lutou tanto para chegar a conclusão que ele não tem capacidade de autodefinição, o homem é ilimitável, o homem é inconstante, inengessável!
Dessa premissa, ao mesmo tempo maravilhosa e atormentadora, decorre todo esforço humano atual: exercitar ao máximo sua criatividade frente ao mundo. Essa busca insaciável é o meio que o homem busca para dar sentido a seu existir. Não há limite para o buscar, não é necessário um objeto para se buscar, o caminhar se tornou fim em si mesmo. O homem inventa, reinventa e nega tudo que existe numa velocidade nunca antes percebida, o homem controla, destrói e constrói em proporções nunca sonhadas a um século atrás. A vida é uma linha constante de inseguranças.
Dessa insegurança surge o medo. Desse medo surge as catástrofes humanas, não é mais possível delimitar o poder do homem para praticar o bem, nem o mal. Definimos o bem como sendo algo aceitável e aproveitável para a sociedade, o bem em seu viés social, e o mal como sendo a negação do bem, a saber: as condutas inaceitáveis e que impede a harmonia da sociedade. O homem inseguro é um homem em pânico. Mas, não há como mudar essa perspectiva do risco e do inseguro na realidade atual, portanto o homem tem que mudar sua capacidade de autocompreensão e autocontrole. Por isso mesmo, viver criticamente passa a ser uma experiência intrigante, relativa e perigosa.
Os limites não existem, portanto o homem inseguro e livre é capaz de fazer tudo. Desde um ato heróico, um fato milagroso a um crime brutal fora de qualquer precedente psicopata. Nesse ponto se encaixa o poder da vontade, o homem pode ser um santo ou um demônio, amar ou odiar, viver ou morrer depende apenas da direção tomada pelo seu poder de decidir de acordo sua vontade. Por isso, a importância em tempos de crise de desenvolver o bem moral, ou seja, aquilo que se deve fazer para não prejudicar o próximo e que venha a somar algo de positivo para a sociedade. Esse é o objeto da Moral. O desenvolvimento da moralidade une as duas grandes propulsões epistemológicas humanas: o conhecer o mundo e o conhecer a si próprio. A moralidade é o elo de junção entre o mundo que existe fora de si e o mundo que as pessoas criam.
Nesses termos, podemos afirmar, que a indefinição humana despertou o ser humano para o progresso, aos poucos, descobriram q esse caminhar não tem fim. A problemática surgida para justificação da existência humana é suprida com o exercício criativo de sua liberdade. Deve-se guiar o poder da vontade através do desenvolvimento da Moral. Somente assim podemos encarar o desenvolvimento da moral como algo seguro para todos.