quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Olhe para ele...

Como ele foi ingênuo. Tudo que falava à ele, ele acreditava. Aliás, não! – Nem tudo. Ele – lembro bem – nunca aceitava elogios, dizia: - elogios estragam as pessoas, mas é bom ouvir - e sorria. Ah! Como ele sofreu por essa ingenuidade.
Lembro quando ele deixou de sair à noite, para a pracinha da cidade, porque lhe diziam – ou ele acreditou enxergar nos olhos alheios - que não era a altura do lugar. Ele acreditou, quando disseram para ele, que ele era feio e sem graça. Os elogios da família e de uma garota não bastavam. Pobre lindo garoto ingênuo, perdeu seu desabrochar por covardia.
E, - quando lhe disseram - que ele não era brilhante, que sua criatividade era medíocre e que as letras não combinavam com seus textos,  ele acreditou. E passou a só a ver ignorâncias suas – passou a cometer muitas brutalidades por acreditar ser limitado. Quanta ignorância por ingenuidade, se, ao menos, tivesse um pouco mais de experiência e percebesse o mundo a sua volta com mais segurança.
Ele conseguiu acreditar, por pura ingenuidade, que ela não o amava. Queria-a, mas não pode com seu lado estúpido que gritava, feito louco – ela não quer você, ela não quer você! – um ingênuo louco, só lhe sobrou as poesias e por fracas que eram o tempo o transformou em um poeta morto. Morto e ingênuo. A ingenuidade ele não perdeu.
Como ele foi ingênuo. Tudo, que falava a ele, ele acreditava... Tsc, tsc, tsc...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sem-mestre


Um dia a gente percebe que esta no início de um recomeço. Teoricamente um recomeço de per si já é um início, não discordo de tal pensamento, apenas pontuo que nem sempre iniciar o recomeço implica em realmente recomeçar. Para construir um recomeço há a necessidade de ir além do re-iniciar. Para ser um recomeço, além de indícios de um re-iniciar, há de ter um querer qualificado pela vontade de mudar.
Ultimamente tenho notado e sofrido com algumas atitudes cíclicas prejudiciais. Atitudes interligadas por erros de concepção da realidade e por atitudes divergentes de minha natureza substancial. Difícil pra mim explicar essa natureza, pois só a sinto. Já, os erros de concepção de realidade são cognitivamente percebidos: faço, erro, sofro, não agüento mais errar/sofrer, logo mudo. É chegado o tempo de iniciar a mudança de algumas dessas atitudes que destoa dos meus objetivos existenciais.
Primeiro veio a compreensão da atitude a ser mudada, no meu caso, veio de uma forma violenta, como se pela primeira vez eu tivesse dado conta de uma aberração que vivia dentro de mim. O primeiro sentimento foi de náusea, de vergonha de si próprio... Foi quase como uma revelação do inconsciente de algo que sempre esteve presente, porém nunca fora dada a atenção devida, talvez justamente para que não sofresse por antecipação. Veja, se agora - compreendido -, tão pouco posso fazer, que seria possível sem algum acúmulo? A compreensão não vem de graça, não é revelação, se não na forma em que se apresenta a surpresa de tal obviedade dentro do nosso consciente. De uma hora pra outra: cabum!  -"Mas como eu nunca tinha percebido isso?" Porém, não é categoricamente uma revelação, não havíamos percebido por que ainda não detínhamos o conjunto de experiências necessárias para a sua clara compreensão. O impacto violento faz parecer algo sobre-humano, porém é o mais natural dos atos humanos: se conhecer. Mas só saber não basta.
Logo, muito depois da compreensão, vem a prática. Não há mérito em saber e não agir. Será uma compreensão estérea. A beleza está na frutificação do auto-conhecimento, acontecida no momento da ação. E, o recomeço é agir diferente, pois continuar a repetir ações inquinadas de um vício negativo é dar prosseguimento a incompreensão. Recomeçar trás em si intrinsecamente a idéia da mudança. Mudar não é fácil, não é a regra, não é inicialmente prazeroso, porém, sem sombra de dúvidas, é extremamente necessário. E, tudo começa no momento que aceitamos a capacidade de mudar/recomeçar.
Depois desses estágios, ao passar por esses degraus, eu me sinto assim: quase abraçando o tempo, vislumbrando milhões de possibilidades, me instigando a prudentemente andar nesse tempo do possível. Do lado esquerdo sempre caminha o amigo medo, mas já deixei de atribuir a tomada de decisões a ele há algum tempo. É sim, tenho certeza que é um recomeço. É início de semestre!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Siameses Opostos

A luta é constante
Conflitos sempre prontos para recomeçar
Pontos de atraso atraem a traição
Obriga, como se tudo tivesse escrito,
A persistir no erro da perdida geração

Dói-me ver o que é sagrado,
Sendo sangrado... conflito esculpido
O culpado desse mal
O terror... terrível rangido

Pra que terras sem amor?
Sem vizinhos... sem amor...
Pra que sonhos sem amor?
Para que o amor?
Maquinalmente sem amor

Somos todos iguais: corrompidos, presos e
destruídos
Nem tanto há motivos
Para insistirmos em ser enfermos
Por insistirmos em ser desunidos

Não é coragem atear fogo em si,
Queimar o mapa não é o caminho...

E, a chance com o fogo se vai
se existem chamas, matem-na!

Chamas, barulho, terror
E o vermelho sangue destaca
Chamas, barulho, terror!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

BRF-ASA Homenagem


Está é uma homenagem. Escrevo para homenagear dois amigos - ou melhor - eu disse amigos? Dois irmãos - calma, eu disse irmãos? - Dois anjos com personalidades singularmente intrigantes, imbricadas, intransponíveis, inigualáveis e inteiramente únicas. Falar deles sem sobressair uma lembrança embevecida de saudade é quase impossível, pensar nessas duas figuras é remontar em pensamento e em espírito a um tempo bom, um tempo suave, agradável e digno - pelo sentimento que comporta - de perfeição. - Dizer que eu adoro esses caras é chover no molhado. Porém, os seus jeitos divertidos e criativos não encantam só a mim, - mas a todos que podem ter a honra de contemplá-los. Contudo, além da admiração existe o respeito, o amor e as estórias que ligam essas nossas três vidas. Quando estamos juntos - e livres para sermos nós três -, sinto como se a felicidade fosse realmente possível, como se o que realmente importasse, naqueles instantes, fosse sermos realmente felizes...

E, as risadas? Quantas risadas!... - Não é verdade? - Já conheci muita gente engraçada, gente com senso de humor interessantíssimo, mas "besta" igual a gente eu nunca vi, "besta" igual a vocês, meus dois amigos, não existe! Existem os "doidos" que co-ajudam no show de vocês - no nosso show - ; mas "besta" mesmo, só a gente...
"Doido" é engraçado, porque faz coisas inesperáveis, mas "besta" só a gente que cria coisas inesperadas. Sou bastante feliz por conhecer vocês - desde o tempo do gorete e do cocete - das palhaçadas na sala de aula, das gravações de nossas resenhas, do tempo da Gameleira e da pimenta no Babalú . Agrada bastante a companhia de vocês, seja nas festas, nos babas, nas gincanas, nas viagens, no céu... - Ôh! No céu não, viajei aqui.
Pode parecer infantil essa homenagem, mas vocês, meus nobres amados amigos de verdade, fazem parte - e são a parte principal - da melhor parte da minha vida -; vocês completam uma parte necessária, uma parte insubstituível, uma parte inexplicável de mim... São partes do meu mais valioso tesouro: minhas sinceras amizades. Pena que nem sempre estamos próximos, e sabe como é: a distância nunca é plena, mas mata a alma e envenena! Ou quase isso... Vocês são incríveis, e eu sempre sonhei ser igual a vocês. Como é impossível, sonho em estar sempre próximo dos dois!
é impossível não sorrir - nem não se emocionar -, quando me lembro de vocês!



domingo, 12 de julho de 2009

Segredo


Quanto custa um segredo?
Por quanto tempo segredo ele pode ser?
Qual a recompensa de sua guarda?
Como garantir que vale a pena prevalecer?

A vergonha, ignomínia ou humilhação se revelado
Prende ao peito, ou meio da garganta, um misterioso peso
Pode, quem sabe, ser mais valioso o inconfidenciável
Se um dia, talvez, puder deixar de ser segredo?

O secreto tem o seu tempo de hospedagem
E todo tempo tem os seus segredos
Mas, não haveria no homem coragem
Se eternamente segredasse seus medos

Um mistério persiste na sua atuação impecável
Não sabendo eu talvez
Que por trás de sua timidez
Há um segredo inconfessável

No que vejo nas linhas do mundo,
Em tudo que procuro ler
Dessa vida-arte-absurdo
Faltar segredo, é o mesmo que ter!

sábado, 4 de julho de 2009

Salva-dor


Percebo um sentimento diferente quando sinto esses ares. É particularmente agradável estar aqui em Salvador, ter comigo esse quê de esconderijo, essa parte de mim tão íntima em meio a essa imensidão. Aqui eu sou mais aquele ser que a gente só é na intimidade. O peso das máscaras desaparece, o campo minado das relações passadas se transformam em um horizonte plano, onde posso correr, sentar, apreciar a paisagem, em fim aqui tenho mais liberdade!
Não, que eu não goste de minha cidade, do meu interior, interior que sempre muda, que dinamicamente se transforma, normalmente, porém não deixa de meu ser, não some seus estigmas, não desaparecem suas figuras fortes, pilares de uma personalidade em formação. E, assim sendo, é sempre difícil enfrentar tais padrões em pleno clima de reforma. É, estou em clima de reforma, procurando dentre os destroços algo para aproveitar, olhando para os exemplos tentando me inspirar, disposto a errar e colher acertos dos erros que virão.
E aqui em Salvador errar é mais fácil, não tenho, ainda, a pressão de sempre acertar. Talvez, isto seja o que de mais valioso aprendi, nesses últimos tempos: a vida não é um contínuo de acertos, mas sim a dinâmica do acertar e errar, tendo ambos o mesmo peso se soubermos aprender com os erros e acertos. Na vida, errar não é um ato nulo, diferente do que nossos professores, involuntariamente talvez, nos ensinam em suas avaliações. Aqui, nesses ares, o erro é aceitável. Lá, no colo de meu afeto, no trono de minha imagem mais idealizada, um erro causa muita dor, não só em mim.
Aqui no litoral a umidade faz fluir os sentimentos, olhando para o ar percebo suas diferenças, posso distingui-los, me ajuda a entendê-los. Eu adoro esse lugar, meu peito infla, minha áurea se torna mais livre. Um perigo, um delicioso perigo!
Gosto de me sentir assim, gosto tanto que conto para vocês aqui...

sábado, 13 de junho de 2009

Em um feriado...



Feriado do dia 11 de junho, dia de finados, seguido do dia dos namorados, 12 de junho, e dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, dia 13 desse mesmo mês. Essas datas cumuladas formaram um fim de semana especial. Especial em reflexões. O feriado abriu um leque de possibilidades para atuação, pois sobrou tempo, porém a forma de atuação depende da circunstancia pessoal de cada um. Alguns aproveitaram para passar horas refletindo no que dar de presente para a pessoa querida na data especial, pois, devido ao corre-corre do dia-dia, sobrou apenas a véspera, quando não o próprio dia, para pensar numa lembrança. Outros organizaram as contas, alguns as desorganizaram ainda mais, com gastos superficiais; houve quem colocou o estudo em dia, e também aqueles que jogaram os livros pra cima, e preferiram iniciar o fim de semana numa mesa de bar, ou até, em uma viajem rápida e, para muitos, romântica.
O certo é que o fim de semana, particularmente, me fez pensar. O dia de finados me lembrou a multidão de vítimas mortais do nosso dinâmico sistema de vida. Vítimas de acidentes, como as do misterioso vôo 447; vítimas da guerra do tráfico, aliás, vítimas da ausência de nosso Estado; vítimas da violência somada a nossa falta de vontade em aprender; vítimas da impunidade; vítima da falta de justiça; vítimas da falta de amor. Enfim, no dia de finados, lembrei daqueles que se foram, quando poderiam, de alguma forma, estar aqui ainda.
E, para quebrar esse clima mórbido, e desolador, esse sentimento de impotência e de desconhecimento de nossa natureza humana, veio o dia dos namorados e, curiosamente, martelaram sobre minha cabeça pensamentos relacionados a esse misterioso gostar dos dias de hoje. Não podemos, nem de perto, considerar que pensamentos sangrentos e frios, como o das vítimas do dia de finado, guardem relação àqueles relacionado à confusão que se tornou a compreensão dos relacionamentos de hoje em dia. Podemos? Vejamos: namorar, ficar, flertar, queixar, choriçar, tudo hoje é mais sutil e engendrado que a antiga tríade da afetividade de outrora: namorar, noivar e casar. E, justamente, o dia doze de junho, comemora-se o dia do enamoramento, o dia dos namorados, e namorar tem todas as suas peculiaridades que distinguem do noivado e do casamento, como Artur da Távola brilhantemente um dia nos apontou. A fase do namoro era antigamente a fase mais apaixonante, mais livre e mais cheia de pequenas "loucuras" de amor. Porém, hoje a coisa muda um pouco, assumir um namoro hoje em dia é prestar um contrato de confiança que poucos têm a coragem de assinar. Mais uma vez, o pensamento que começara um pouco mais colorido se esvai, pensei novamente nas vítimas, aquelas que ficam excluídas desse imbricado e arriscado contrato de confiança dos dias de hoje, sem garantias, sobra insegurança. Sem garantia de onde estaremos amanhã; sem garantia de que podermos ir para onde for o nosso afeto, afinal essa é a definição mais simples da palavra companheiro; sem garantia de que podemos dar segurança a nosso amor, não há namoro. Mais uma vez me encontrei perplexo, perplexo por aqueles que não puderam presentear ou serem presenteados nesse dia 12, não por falta de condições financeiras, mas por não ter confiança o bastante para poder se permitir namorar!
No dia de Santo Antônio, vem toda aquela reflexão sobre o casamento hoje em dia. De sua desvirtuação; homens e mulheres querem cada vez menos se unir por um laço formalmente matrimonial, no entanto os homoafetivos lutam muitas vezes no silêncio, algumas outras em barulhentas paradas, pelo direito de casarem. A crise do casamento é uma crise de afeto. Quinze casamentos em 25 anos de vida. Acho que li uma notícia similar de alguma estrela da TV. Elas e eles, tentam... tentam... tentam, mas não conseguem. Não conseguem manter por todos os anos o sentimento incendiado das primeiras horas. Simplesmente porque se esquecem, ou não sabem que o amor não vem pronto, e, pelo contrário, ele deve ser construído. Mas, em vez de por mãos à obra, ficamos esperando que algum empresário empreenda o amor e o venda enlatado, garantido todas as informações necessárias quanto ao modo de uso, data de validade, e que traga no rótulo todas as instruções ao consumidor.
Meus iguais, é passada a hora de percebermos que alimentamos um mundo vazio, justamente porque nos propomos muito pouco a refletir que rumo queremos dar a ele. Para não termos mais problemas ligamos o piloto automático. Justamente por isso, o nosso mundo é essa realidade artificial e automática! Por este motivo, tantas vítimas. Quando, cada um de nós, assumir a responsabilidade pelo mundo que temos, desligarmos o piloto-automático, quem sabe assim teremos um mundo mais humano.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

QUE MARAVILHOSO ABSURDO

Inprevisivelmente uma notícia surpreende o mundo. É como algo insonhável fosse paradoxalmente aquilo que, muitas vezes de uma forma imperceptível, todos queriam ouvir. E, como qualquer novidade deste quilate, abalou toda a sociedade mundial. Se, não tivesse acontecido duvidaria até de mim nessas linhas. Mas aconteceu. E o impressionante foi a rapidez como tudo se fez e como facilmente se tornou conhecida em todo o mundo, claro devemos muito, neste particular, as nossa elevadíssima tecnologia na área da telecomunicação, como também, não poderíamos olvidar, o grande interesse que essa notícia arrebatadora despertou na grande mídia. Um fato tão impensável, tão temível e tão inesperado não podia passar sem a devida atenção dos holofotes.
E, agora fico aqui a imaginar... Meu Deus como pode isso acontecer, justamente naquele momento, com aquelas pessoas, como? A mídia não falou...


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Do Vale à Graça

No caminho que liga o Vale do Canela ao bairro da Graça, se encontra a Faculdade de Direito. Poderíamos até dizer que ela se situa entre o vale da esperança, carregada de sonhos, e o alcance da graça, símbolo da concretização desses sonhos. A faculdade é ponto de ligação de dois caminhos que intrinsecamente se comunicam.
Dos meninos e meninas que sonham ao entrar nessa nossa faculdade, aos homens e mulheres que lutam para sair, uma distância considerável se encontra. Essa distância é gradativamente vencida por degraus, e esses formam uma verdadeira escadaria, com direção certa, porém sem consenso sobre o sentido.
O que de objetivo dá-se para tirar do avanço ou do retrogradar de quem tanto sonhava no primeiro dia de aula, e depois, pela ação do tempo e das experiências, tantas angustias vislumbram no dia de sua formatura? Em que sentido andara aqueles que, consciente ou inconsciente, deixaram de lado os sonhos de outrora? Será que eles subiram ou desceram as escadas do vale à graça?
Porque aquele que sonhava mudar o mundo cedeu a um mundo que o mudou?
Porque os sonhos coletivos se transformaram em objetivos individuais e individualistas? Porque entramos pós-modernos e saímos positivistas? Porque sonhar é inocência e competir é maturidade? Que é o mistério que formata as pessoas do curso de Direito? Porque todos seguem a mesma correnteza?
Não é fácil responder essas perguntas, mas o certo é que essa correnteza não pode prevalecer, porque ela é fraca! E, é fraca porque é uma correnteza que compete entre si.
Fugir desses questionamentos é se prender numa caixa azul, de pilares cilíndricos e paredes de vidro.
Refletir sobre esses questionamentos é procurar se conhecer, e então, adquirir capacidade para tomar as rédeas do seu próprio destino profissional.
Se conhecer é o primeiro passo para estabelecer um sentido para a caminhada do vale à graça. É o melhor jeito de não transformar o objetivo dessa caminhada numa desventura.
Se conhecer é ter a coragem suficiente para acreditar naqueles sonhos que impulsionaram a caminhada do Vale do Canela ao bairro da Graça, passando pela Faculdade de Direito. E então poder dizer, eu não quero fazer concurso, como todo mundo! Eu não quero vestir terno igual ao de todo mundo! Não quero ser corrupto, e quero ser imortal como todo mundo!
Ou não, e ter a mesma coragem pra dizer, eu quero ser assim, eu quero ser isso. Poder então gritar, eu quero ser feliz com minhas diferenças, e não quero somente uma semana de diversidade, eu quero exercitar infinitamente minha individualidade feita de sonhos, diferenças e liberdade.

Pequena cidade, dia da formatura da filha de um pai orgulhoso,

Hoje queria dar a você um prezente, podia ter carpido a roça do Jaão e ganhado dinheiro pra comprar para você uma ropa bonita, ou um buqê de flôr. Podia ter feito um daqueles hominhos de barro que você tanto gostava, mas não, quis mostrar pra minha filha doutora que posso até escreve um a carta. Sei que as palavras não é das mais bonitas, e sei também que não sou bom com acentos e virgúla, mas sou sincero quando falo que suei para escreve e corrigir essa carta minha filha. Quero que você veja que por você fasso qualquer esforço, até porque eu te amo e isso não é nada perante o quanto eu te gosto.
Mas não escrevi essa carta só pra dizer de mim. Dá vontade até de ri, quando lembro de tantas traquinagens que você aprontava quando menina, das vez que você errou por inesperiência até por não ter tido a oportunidade de saber como é que se fazia antes de ter errado. Mas fico feliz porque você aprendeu, você cresceu e vai ser doutora. Mais do que a alegria que você ta sentindo hoje, é a felicitação que se encontra aqui dentro de meu peito. Perdoe esse velho pai que não tem trato com as palavra. Que nunca foi homem de letras

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O GRITO




Animalizado pelo extinto extremo, o homem gritou. Seu protesto falado, mais parecido um uivo, foi longo e estridente. Num momento as artérias, de sua garganta, ficaram mais caudalosas, e as veias mais protuberantes, seu rosto foi transmudando para um vermelho aguado. Talvez até mesmo seus vasos sanguíneos gritassem naquele momento.
Dor? Desabafo? Insanidade incontrolável? Não sei. Só sei que o homem gritou. E o grito, que durou alguns segundos, reverberou por mais tempo pelo ambiente, vibravam as paredes azuis e as plantas ornamentais. O grito não passara com o cessar dos estímulos fisiológicos. Aquela mistura de sons que saia de sua boca e nariz, todavia mais parecia avançar de cada célula de seu corpo, ecoou pelo silêncio instantâneo que o sopro quente deixou. Ecoava pra fora e pra dentro de si. Agora os olhos, que perderam o foco no instante de ira, começaram a reconhecer as imagens da paisagem ao seu redor, foi o primeiro sinal de que o grito havia passado. A sua face, paulatinamente, foi tomando sua coloração normal, as veias e artérias aquietaram-se debaixo de sua pele, a boca, já fechada, engole a seco um volume de saliva. A raiva passara e o homem sentou.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Coriza


Coriza

Escolher é uma arte tão fascinante
quanto a própria vida
Se esconder pode ser tão necessário
quanto sorrir

Ela surgiu como um devaneio
Se tornou uma obsessão em dias
Logo me vi envolto numa quimera
preso num sentimento que me enlouquecia

Não teve saída. O destino teve que ser duro
Um golpe profundamente sentido por mim.
Tudo obscuramente foi perdendo o sentido
e a certeza do fim foi me consumindo.

Mas um bicho teimoso como eu
tinha que se aventurar nesse enredo falido
Mais uma vez, outras vezes, mas...
...quantas mais?

As portas abertas por mim
A vida fechava atrás. Todo esforço atrapalhado
Era vencido... Tava errado.
E agora? O que faço?

Corro dos erros ou me jogo do penhasco?
Depois que descobrir que não há morte...
...aprendi a respeitar mais a dor.
Ah! Esse ser teimoso, acho que se cansou de errar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Estou feliz

Se eu dissesse que sou feliz,
depois de um tempo, que
eu voltasse a ler este poema,
talvez acharia que não soubesse o que dizia
mas, sei que estou feliz,
e isso ninguém, nem mesmo eu,
pode negar um dia.

Não há nada mais doce,
mais gratificante, mais encorajador,
que o sentimento aflorado
após um sonho realizado.
E, eu realizei

É emocionante e recompensador
voltar a ter sonhos
Reacreditar no amor,
Fazer da vida uma obreira de boas ações
Buscar objetivos, confiar em mim!

Saber que há muito a se fazer.
Saber que é útil para alguma coisa.
Saber que eu sei o que eu quero,
E que, pode ser, que alguém também me queira.

Ter, aos poucos, consciência,
de quem sou, e tentar
viver conservando esse estado,
sempre alegre, sempre forte
Sempre lúcido!

Claro, que um frio na barriga,
desponta quando penso em tudo
que procuro conquistar.
Efeito de um pouco de medo, porque não,
de um pouco de insegurança,
ou receio de sentir o gosto da derrota.
O fim do bom ânimo.

Mas, não tenho mais o medo da dor
Sei que nunca, perpetuamente nunca, estarei só
E também, que a força para vencer,
estará comigo sempre.

Estou feliz, por que posso ser advertido,
e orientado
Por que, eu sei, da presença de Deus,
E que sem ela não posso viver

Posso até um dia,
achar que exagerei nessas linhas,
Ou, reconhecer que fui realmente feliz,
Ao menos, um dia, nesta minha via!

Sentimento dormente

Cada vez mais firme
O instante que marca o nada
Alma vazia, mente poluída
Polêmica, epidêmica, voraz...

Onde está o amor?
Foi-se a quilômetros de distância!
Não há nada a fazer
Pobre, minúsculo coração de criança

Amansa, nada substitui o ser
Anda, cansa deixa a distância vencer
Nada força tanto uma lágrima despontar
Desejo de vê-la, e não poder encontrá-la.

Não é por isso que aqui me encontro
Procurando ser mais humano
Drogando-me para ser menos normal
Perdendo-me numa experiência fatal

Agora, deixo o foco escapar
Algo, aqui dentro, ainda me agulha
Punge, não... a discussão é inevitável...
Ahh, o não... quantas vezes aceitei sem contestá-lo

Distante da realidade
A verdade é o meu mundo
Onde o que está limitado é infinito
E as decisões sem limites são tomadas

Acabei, e no fim
Tudo se foi...e a distância ainda está..
E quando com ela me encontrar não ficarei surpreso
se com mais uma surpresa me deparar.

O barco, o ideológico

A vida é como um barco
A personalidade a tripulação
Milhões e milhões de homens limpam meu convés
Deslizamos pelo mar sem pés
Aos comandos de um mapa sem direção

Minha bússola é a lua minha
Porém embriagado pelo brilho de uma estrela
mudo o rumo de meu barco
Empenhada segue a minha embarcação

Correntes marítimas chocam-me
Com minha embarcação vendida
ando, nesses tempos, como um ser vendado
Com um pobre, e lúdico ser inocente.

O tempo passa e a tripulação diminui
O barco desgasta
o vento desanima
As rotas mudam...

Mas, sempre há um porto
um porta-aviões
ou inceberg...Algo que nos faz parar
Algo que faz subirmos
Alguém que nos obrigue a mergulhar!

Enquanto isso, o barco vai...
Desesperado por uma rota feliz...
Nós seguimos...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Mais um ano se encerra, o momento é de reflexão. "É hora de olhar para trás e analisarmos o que aprendemos no ano que se passa", - além de percebermos se vimos cumprindo o que foi aprendido no acúmulo de nossa jornada. É também, momento de olhar para frente, de definir metas e delinear planos, é uma época única de renovação, e não podemos deixa-la escapar, nem pelo rancor, nem pelo pessimismo - podador de nossos sonhos.
Eu aprendi muito no ano que passou. Aprendi que uma lição não se aprende completamente antes de ser colocada à prova; aprendi que certas coisas dependem de força de vontade para acontecer. E, aprendi a me dar por vencido, quando a angustia de derrotas seriadas, apontam para um momento de tranqüilidade. Aprendi que somente doar amor não basta para que esse amor seja infinito, é preciso doar de coração aberto, sem desejar, nem muito menos exigir, nada em troca. Aprendi que fazer mal a você não prejudica somente seus interesses; notei que o autoflagelo não sabe para onde está nos levando, "já o sacrifício na luta pelos nossos objetivos, é uma luz que clareia nosso caminho e nos faz entender a vida de uma forma mais lúcida". Eu aprendi ainda, nesse ano, que tudo tem o seu tempo, e às vezes o tempo chama por nós de uma forma apressada, mas necessária, e outras vezes ele nos alerta que estamos nos precipitando desnecessariamente. Aprendi que hoje vale mais olhar para trás, e repensar o futuro do que sair correndo por ai querendo abraçá-lo, sem nem saber, se ele realmente nos pertence.
Hoje sei, vale mais enfrentar os medos e se ferir do que se ferir com o medo das perdas. É uma nova época, para um homem novo, que agora nasce.
- E o seu aprendizado, já refletiu sobre ele? As promessas, a prática do aprendizado do ano anterior foi colocado em prática? - As minhas não.
Continuo errando, pelos mesmos erros de antigamente, porém hoje sou consciente desse meu erro cíclico, de reviver erros passados, e prometo me esforçar para mudar, começando mudando esse final.
Com essa introdução, que eu escreva a minha história nesse ano de 2009, com muitos "fatos, pensamentos e poesias"...

FELIZ 2009!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Discurso de Parkman



Discurso de Parkman

Se eu pudesse mandar em seu coração
Eu ordená-lo-ia a amar-se
E, se o seu coração me escutasse
Proibir-lhe-ia o desânimo

Se eu pudesse mandar em seu coração
Ordenaria ele a amar
E se o seu coração se alegrasse
Ocupar-lhe-ia esse lugar

Se o seu coração fosse a mim subordinado
Impor-lhe-ia a felicidade
Dar-lhe-ia carta de alforria
E elegeria a responsabilidade como valor máximo

Se, ainda assim, insistir a mim o comando do seu coração
Ordenar-lhe-ei que se insurja
Por que não tem necessidade comandar
Alguém que se ama e já sabe amar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008


O sabor do conhecimento é insaciável. Acompanhado de um sentimento preenchedor que não se esgota para aqueles que olham as coisas sem preconceitos, sem medo de compreendê-las e respeitando seu caráter sagrado. É de espantar, estupefacto, a engenharia detalhista que sustenta os conhecimentos culturais e as sabedorias populares. Tamanha é a liga de simplicidade e efetividade, que é inafastável o sentimento de preenchimento proporcionado pelo contato com esses saberes. A sabedoria cultural e popular é fonte de um conhecer infinito, por ser construída de uma forma histórica, com o passado influenciando no presente e o futuro influenciado pelo passado.
Quando contrasto com o rigor técnico e a perfeição de resultados do modelo de ciência que dominou a modernidade, sinto o mesmo espanto, porém com uma pitada de medo, traduzida pelo frio na barriga que o compromisso e a responsabilidade que esse tipo de conhecimento traz. Por ser abrangente e interligador anseia por conhecer todas as coisas; mas sempre há coisas à conhecer.
Pois bem, não importa como apreendemos, é preciso saber/viver. O saber é acima de tudo viver.
No fundo, o que realmente vale saber é que temos que usar nossa cognição para chegarmos a verdade. A inteligência proporciona a vida e a única afirmação que importa, de verdade, é que ainda temos oportunidade de viver/saber.

quinta-feira, 31 de julho de 2008


Nem ti

O quanto há de verdade
No mundo em que nada podemos ver
A não ser
Poucos nobres objetos
Refletidos captados
Por nós... Por nossos olhos

O que não há, ao certo
Nas verdades que contam
Que ouviram dos que já ouviram contar
O que ao certo não vale
nas verdades que tentamos esboçar?

O que de real
Existe na procura ilusória?
O que de tão boçal
Encontramos na ilusão da glória?
De estar um passo à frente
Dessa multidão que late
Que vibra que é feliz!

O que há de superior
Num mergulho sem fim?
Em um buscar interminável...
Na solidão de uma procura anormal
De um dia sem sol
De uma certeza tão grande
Quanto à melhor das verdades

domingo, 22 de junho de 2008

Por que não se entregar de cabeça em qualquer sentimento?

Porque todo sentimento é produto de uma inter-relação, logo a sua medida nem sempre coincide com a medida do próximo. Há a fase da idealização do outro, nessa fase nós profetizamos aquilo que não conhecemos. Completamos a personalidade do ser com aquilo que nós gostaríamos de ser, ou de ter. Essa é a fase mas perigosa, mas também há mais intensa de um relacionamento.
O tempo passa, e muitas ilusões ficam para trás. Toda ilusão desaparecerá um dia. Com material mais verossímil começa-se a ter uma visão diferente do outro, não é mais o herói, agora o outro é mais próximo de nós. Nesse ponto firma-se, ou não, um sentimento. Nesse instante é o momento para delinear com mais precisão o que sentimos, é a hora de nomear o sentimento: saber se é amor, se é amizade, se é atípico. Aqui é o momento da escolha. Todo sentimento é uma escolha, para seguir em frente, nesse momento, é inevitável a manifestação da vontade clara e livre de vícios.
Da certeza da escolha inicia-se a construção, nessa fase o sentimento dos dois começam a se tornar um só sentimento. É hora de maximizar a confiança, de enfrentar com bravura as provações, porque elas virão! Somente a partir da certeza de um sentimento, somado com as provações necessárias para o seu enraizamento é que se poderá então viver plenamente um senti-mento. Aqui não existe o jogar-se "de cabeça", nesse estágio navegamos com tranquilidade, por saber das curvas desse mar, de seus desvarios, de suas manhas.
Portanto, todo sentimento é construção, e toda construção pede cautela.

terça-feira, 10 de junho de 2008

O CONHECER

A busca pelo conhecimento é um intrigante caminho, e considero, como sendo, um dos mais importantes que o homem deve trilhar. É intrigante na suas múltiplas aparições e importante no efeito causado. Viver é sempre um aprender em última análise.

Conhecer é um estado de busca constante. Buscamos as mais variadas coisas, sobre os mais variados motivos. Na acepção substancial do conhecimento o importante mesmo é buscar. Essa busca deve encerrar em si uma inquietação inicial do ser, que geralmente nos leva ao buscar. Logo, para aprendermos necessitamos da força inicial que nos faz buscar, que chamo de: problematização do viver. É a dúvida que desnormalisa uma dada situação. Se estivermos sempre tranqüilos e estáveis diante de determinada situação da vida não pode surgir daí um conhecer. A tradição, ou a técnica, também é conhecer, pois a sua existência pressupõe um problema inicial que fora sanado com o conhecimento, porém não será conhecimento se no processo de transmissão dessa técnica ou repetição cultural/tradicional não encerrar em si o entendimento da problematização que levou a busca de determinado objeto, idéia ou estado. Conhecer é buscar e aquietar essa busca, repetir não é conhecer, ma sim mimetisar respostas para situações semelhantes.

O aprender causa uma quietação do ser, sendo assim, é uma forma de equilíbrio, uma forma de pacificação e uma forma de libertação. Em nossa sociedade atual, o equilíbrio, a paz e a liberdade são valores tão raros, que, hoje em dia, o conhecer é extremamente necessário. O salto quantitativo das formas de vida do ser humano, associado a um recente salto qualitativo no domínio da natureza e de seu mundo interior, fez com que a busca ao aprendizado se tornasse urgente.

Conhecer e viver estão intimamente ligados, pois ambos são um percorrer de um caminho, um deslocamento de um ponto para outro. O homem que nasce, permanece e morre, sendo que, não desenvolve, uma sequer, aspiração cognitiva, que lhe faltava anteriormente, não vive, mas somente existe.

Busquemos o aprender, façamos do viver um estado positivo capaz de proporcionarmos a liberdade o equilíbrio e a paz.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Claro que não!


O amargo da água ardente não se compara com o gosto cinzento que marca agora minha garganta. Esse “ter de ficar quieto”, essa força que tem me faz concordar com o rumo que as coisas tomaram, esse sentimento que obriga a amar mesmo dilacerado o peito, mesmo contorcendo de dor. O que faz tanto amor e tanta esperança se transformar em dor e em desilusão? O que faz a saída se tornar a única via, mesmo você tendo tantas forças pra lutar?
Mas, de novo não é hora pra lamentar, é sempre o dia do recomeço e nem um segundo é tão valioso quanto esse que acaba de passar!
Já vi mundos maiores decaindo e deles muitos melhores nascidos. Mira pra frente e pro alto, e mesmo mentindo, dizer que valeu a pena essa viagem!

VIOLENTA PAIXÃO



A penumbra perdura sem o teu olhar. A procura me faz voar, agora sou o homem voador, que viaja pelos doces sonhos de um sonhador.
Meu viver é desencanto ao acordar sem ter você. Minha vida é um grito de saudade e de vontade de te ver. Brota água de meu corpo, faz tremer só o pensamento; dói o peito, aperta os olhos, dá arrepio esse sentimento. Vou voar, eu vou voar eu preciso de você, o homem voador enlouquecerá se não matar essa vontade de te ver, esse gosto que é você!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A PEDAGOGIA DA FELICIDADE


O dinheiro traz felicidade?
As pessoas ainda pensam que o dinheiro pode comprar a felicidade, isso porque, ligam a felicidade somente aos bens materiais, fenômeno comum da filosofia consumista vendida pela mídia e pela sociedade capitalista em geral. Ser feliz é possuir bens? Isso, ao contrário do que pregam as propagandas atuais, deve ser problematizado, e não aceitado como uma verdade absoluta.
Comprar, comprar, comprar, onde isso vai parar? Na verdade ai está o grande “X” da questão, não há um local seguro para se parar. O consumismo é uma via de mão única, se alguém confere a felicidade como sendo algo diretamente proporcional ao consumo, sempre haverá lugar para mais um produto na estante, e se não houver lugar, joga-se fora o desatualizado e compra-se o mais atual.
Sem dinheiro, no mundo atual, não tem como se viver. Concordo com a afirmativa, porém não posso concebê-la de forma absoluta. Dinheiro é importante numa sociedade que tem que promover sua segurança, defender sua saúde, desenvolver sua educação e seu conhecimento sem a ajuda efetiva de um Estado-promotor de bem estar social. Porém condicionar a felicidade a um salário alto é no mínimo restringir algo que em si é infinito. A felicidade é uma procura infinita por melhorar-se, mas não entendo essa infinitude como o prisma do consumo em massa. Antes, porém, como sendo o aprender constante, e conseqüente diminuição na quantidade de erros que geram tristezas. Sob essa perspectiva continua sendo uma busca infindável, contudo segura, porque embasada nos pressupostos da ética e da moral como um todo.
Aprender, aprender e aprender, ao contrário do consumir, tem o diferencial da correlação, pois o aprendizado é um processo dialético e bilateral, o ser humano muda-se constantemente e por isso promove a infinita reconstrução do mundo em sua volta. A felicidade é um caminhar em missão. Até mesmo numa situação hipotética para o nosso mundo, aquele que detivesse todo o conhecimento ainda teria uma missão a cumprir, transferir esse poder de ser feliz aos outros seres. Seria, para esse “conhecedor de tudo”, um teste para seus ideais, e para suas verdades, e no final também se converteria em aprendizado.
Ser feliz, para alguns pode ser a procura por acumulação de bens e produtos, porém não adianta essa pessoa possuir todo esse poder patrimonial e não ter as virtudes que levam o homem à paz. A pedagogia da felicidade vai prevalecer nesse processo, pois se não houver nesse acumulo material um mínimo de eticidade, de amor próprio e amor ao próximo esse processo de crescimento não trará a felicidade sonhada. Isso porque a segurança pretendida com o conforto é uma segurança externa, e a segurança interna só se encontra com a paz. A saúde que se pode deter com o acúmulo de bens é uma saúde instituição, não uma saúde estado, pois o verdadeiro bem-estar se produz com o bem viver da mente e do corpo, essa é a saúde que previne e não a saúde que remedeia. Nos mesmos moldes a educação. Esses pontos comuns são definidos de formas diferentes se encaramos o viver de formas diferentes.
Não se pode confundir saúde com hospital, como não se pode também restringir educação à escola, no meu entender tudo isso implica em processos bem mais amplos que redefinem toda a sua essência.
Aprender é viver. Saúde e viver bem. Viver em paz é ser feliz, essa é a pedagogia da felicidade.
Nota: essas linhas são reflexões a cerca da felicidade. De forma alguma pretendo apresentar uma receita para sermos felizes, sou tão limitado e tão humano quanto a todos, e ainda estou em processo de conhecimento do que seja realmente essa felicidade.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Mito do Homem-medo

Vejo o mundo nos olhos distraídos
dos pedestres que passam pelas ruas
as máscaras em forma de vida
assustadas defendem uma liberdade que não é sua

E os tiros, as mortes, as chacinas
narradas todo dia pela mídia
fazem tremer as pessoas que passam pela vida
e justificam a liberdade arremetida!

E a ilusão cresce, por segurança,
e a população pede, por vingança.
o medo do fraco é disfarçado
massacrando o bode expiatório!

Mas precisamos de mais segurança!
precisamos não morrer!
Pois, são por nossas próprias mãos
que esse sistema deve crescer!

Assim, o homem criou o medo
e também criou a mídia.
E a mídia se tornou grande, e controlou o medo

Hoje o homem vive, pensa e compra
em função desse medo, criado pela mídia,
que divulga, amedronta e doma
recriando o homem a cada dia.

EU QUERO FALAR




EU QUERO FALAR


O principio constitucional da ampla defesa é um direito fundamental humano. Avanços tecnológicos e catástrofes sociais são variáveis que influenciam diretamente a proteção desses direitos. O advogado tem papel inafastável na concretização do direito fundamental da ampla defesa.
O principio constitucional inserido no artigo 5º, LV, da Constituição Federal Brasileira descreve um direito inerente à qualidade de pessoa, que não pode ser privado nem ao pior dos criminosos. Estou falando do principio constitucional da ampla defesa. A ninguém é exigido, ou imposta a renúncia da sua defesa. A defesa é um pressuposto essencial à idéia de justiça.
Graças a Hegel e sua dialética um mínimo de eqüidade e justeza na procura da verdade necessita de uma tese, uma antítese, para se ter então uma síntese, substrato dessa verdade pretendida. A antítese num processo jurídico seria garantida pela defesa. Mas não basta que haja qualquer defesa, a defesa tem de ser válida, o que pressupõe capacidade de influência na decisão. Não se pode ter um resultado obtido por pré-julgamento, somente nessa hipótese se dispensaria a defesa, o que é incabível. Ora, se a defesa não tem capacidade de influir na decisão final logo essa defesa não é válida, não é ampla. A ampla defesa permite que as partes e suas verdades lutem em pé de igualdade. Afinal, como dizia Nietzsche a verdade é relativa, entendida como sendo uma preposição propalada por um emissor e aceita como verdadeira por um receptor.
A ampla defesa era dispensada nos tempos anímicos em que o homem julgava de acordo com o seu bel prazer, sem se importar com verdades, com direitos ou com as conseqüências dessas sentenças. Nessa forma, muitas e muitos inocentes foram queimados, cabeças foram degoladas e outros tantos apedrejados.
Hoje em dia, o mínimo de respeito à qualidade do ser humano em um processo de conhecimento de determinado fato, prescinde a ampla defesa como substância essencial de tal processo.
O advogado tem papel essencial na efetivação da justiça. Ecoa tão uníssono esse pensamento que há previsão Constitucional nesse sentido (art. 133). O advogado de defesa, muitas vezes visto como o “advogado do Diabo” é, pelo que foi arrolado acima, figura indispensável para a efetivação da justiça. Ouso afirmar que se houver um processo Divino o “advogado do Diabo” terá seu lugar garantido, como pressuposto de Justiça. Os processos em que a verdade é proclamada sem chances de defesa, é no mínimo um processo covarde.
O advogado além de ter direito a defender a sua verdade, terá de oferecer uma verdade convincente, pois a defesa tem de ser ampla. Até mesmo o pior dos crimes tem de observar o direito fundamental à ampla defesa, para que possa por meios minimamente justos ser obtida uma decisão satisfatória.
O advogado figura como ser competente para fornecer a pessoa acusada, que necessita de defesa técnica e capaz, a ampla defesa, podendo assim influenciar a decisão judicial.
Logo, a menos que queiramos voltar aos tempos da barbárie, temos que admitir a presença dos profissionais que animados pelo lucro, convicções ideológicas ou pessoais, figuram como peças essenciais à construção da Justiça. Portanto, amigos e amigas, não mais queimaremos como Judas, que, aliás, nunca teve ampla defesa, os advogados que defendem as suzane ristofes ou os alexandres nardones que possam surgir por ai.

quinta-feira, 24 de abril de 2008


O PODER DA VONTADE



Nos tempos atuais de indefinição humana não há como ter segurança. O homem nunca foi previsível, mas agora ele testa, de formas nunca vistas, os seus limites de criatividade. Acontece que essa criatividade nem sempre é benéfica ou imposta para um bem social. Viver criticamente passa ser uma experiência intrigante, relativa e perigosa.
O ser humano é inexato por natureza, a sue incompletude é o que faz ele ir a diante, é o buscar interminável para se compreender, a busca do fechar do ciclo e, então assim, poder regular e comandar seu próprio caminho. Nessa caminhada incessante o homem avançou as águas desconhecidas, caminhou por terras inabitadas, avançou para o espaço, e hoje o universo não parece mais um objeto singular. Filosofou, estudou, teorizou e profetizou tudo que estava a seu redor. Por essa busca, o fechar-se do ciclo, o homem se lançou para dentro de si, se conheceu anatomicamente, se encantou por sua mente, analisou comportamentos e definiu papéis para os seres inseridos em um meio social. Continuou filosofando, estudando, teorizando e profetizando sobre tudo que lhe perturbava a alma. O ser humano lutou tanto para chegar a conclusão que ele não tem capacidade de autodefinição, o homem é ilimitável, o homem é inconstante, inengessável!
Dessa premissa, ao mesmo tempo maravilhosa e atormentadora, decorre todo esforço humano atual: exercitar ao máximo sua criatividade frente ao mundo. Essa busca insaciável é o meio que o homem busca para dar sentido a seu existir. Não há limite para o buscar, não é necessário um objeto para se buscar, o caminhar se tornou fim em si mesmo. O homem inventa, reinventa e nega tudo que existe numa velocidade nunca antes percebida, o homem controla, destrói e constrói em proporções nunca sonhadas a um século atrás. A vida é uma linha constante de inseguranças.
Dessa insegurança surge o medo. Desse medo surge as catástrofes humanas, não é mais possível delimitar o poder do homem para praticar o bem, nem o mal. Definimos o bem como sendo algo aceitável e aproveitável para a sociedade, o bem em seu viés social, e o mal como sendo a negação do bem, a saber: as condutas inaceitáveis e que impede a harmonia da sociedade. O homem inseguro é um homem em pânico. Mas, não há como mudar essa perspectiva do risco e do inseguro na realidade atual, portanto o homem tem que mudar sua capacidade de autocompreensão e autocontrole. Por isso mesmo, viver criticamente passa a ser uma experiência intrigante, relativa e perigosa.
Os limites não existem, portanto o homem inseguro e livre é capaz de fazer tudo. Desde um ato heróico, um fato milagroso a um crime brutal fora de qualquer precedente psicopata. Nesse ponto se encaixa o poder da vontade, o homem pode ser um santo ou um demônio, amar ou odiar, viver ou morrer depende apenas da direção tomada pelo seu poder de decidir de acordo sua vontade. Por isso, a importância em tempos de crise de desenvolver o bem moral, ou seja, aquilo que se deve fazer para não prejudicar o próximo e que venha a somar algo de positivo para a sociedade. Esse é o objeto da Moral. O desenvolvimento da moralidade une as duas grandes propulsões epistemológicas humanas: o conhecer o mundo e o conhecer a si próprio. A moralidade é o elo de junção entre o mundo que existe fora de si e o mundo que as pessoas criam.
Nesses termos, podemos afirmar, que a indefinição humana despertou o ser humano para o progresso, aos poucos, descobriram q esse caminhar não tem fim. A problemática surgida para justificação da existência humana é suprida com o exercício criativo de sua liberdade. Deve-se guiar o poder da vontade através do desenvolvimento da Moral. Somente assim podemos encarar o desenvolvimento da moral como algo seguro para todos.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008


Queria correr de mim!



Oh, mundo de verdade...
Terra de sacrifícios, de descobertas
De sonhos e de lágrimas, de mentiras e de falácias...
O tempo todo resolvo-me , descubro, e me perco em ti...


Oh, espaço de misturas, de retas divergentes e sonhos diferentes...
Oh, casa de miúdos, regrada por luzes e litígios, enfeitada de notícias e fantasias
Vivo sem sono, num êxtase momentâneo de uma depressão infindável...
Acordo nesse estado insano, suando, sem ilusão e sem pão...


Mas se eu preciso, se eu quero, se eu pedi...
Não posso reclamar do amargo, se é o melhor para minha saúde ...
É lindo, é duro, é terrível, mas vivo...
Consigo sorri...


Gosto de passar pelos doces caminhos
Perder-me nas inocências de meus erros
sofrer pelos erros cíclicos de meu infame destino
esquecer de minhas outras dores nesse quarto enfermo.


olvidar de tudo, e viver ao léu..
Jogar todas para o alto e esquecer da dor...
[Ela me acompanhará...]
Posso fugir de tudo a minha volta...
Só não posso afastar tanto de mim...


A vida não é fácil...
A vida não é simples...
Mas é preciso seguir em frente
E mirar bem pro alto!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


Estamos a pouco menos de um mês para o início do ano de 2008, pouco mais de um mês para meu vigésimo primeiro aniversário, e o que contar de novo nesse ano que começa a se definir??

Um ano pode ser definido sobre muitos aspectos, um homem pode ser entendido sobre diversos pontos de vista, e esse texto é, acima de tudo, uma reflexão sobre mim.

No entanto, não posso definir um ano que caminha para sua definição, posso dizer do processo, do caminhar...que foi muito gratificante, no que tange os aprendizados que as cicatrizes me trouxeram.

Nesses tempos não vejo ninguém falar do Sol, que continuou a brilhar, da Lua, que até agora, vem completando seu ciclo com presteza meticulosa, não diz nada das águas que incansavelmente percorre suas fases gerando equilíbrio, proporcionando a vida.

Eu posso incorrer no mesmo erro, tento lembrar o que de marcante aconteceu em minha vida nesse sexto ano do século XXI, e me esqueço das coisas sublimes que sempre me acompanham. Amenizarei os meus erros falando da família, que está sempre presente nos bons e maus momentos, que é fonte e finalidade do meu amor, que não me deixa desanimar, que me protege e me estimula a prosseguir apesar dos pesares. Não posso de igual maneira esquecer os amigos, extensão direta do meu ser, não posso tentar me definir sem reportar aos bons companheiros de sempre, seres que me ajudam no aprendizado ininterrompível, que me norteiam quando pareço perdido, que me aturam, quando nem mais eu me agüento, que têm as palavras certas para cada ocasião.

Nesse ano eu aprendi, logo cedo, que certas coisas não podemos deixar para o amanhã. Aprendi que não adianta ser apressado, e não ouvi a razão antes de tomar decisões, aprendi, sobretudo, a pensar antes de falar. Aprendi que todos podem nos decepcionar, todos! Aprendi que temos que ser sempre sinceros, conosco e com o próximo, para evitar desapontamentos por erros inocentes. Aprendi a não desistir de algo que temos a certeza de que iremos nos arrepender no futuro. Aprendi a diferenciar idades, não somos escravo do tempo, mas ele deixa regras mínimas que temos que seguir. Aprendi que nem sempre os outros escolhem o melhor pra si, e não cabe a nós questionar as suas escolhas, afinal são escolhas, e junto, aprendi que nem sempre o que é bom pra nós também é bom para eles. Aprendi a me centralizar com certas coisas sem questionamentos que desenrolados levaria a lugar algum, aprendi a ouvir e a concordar, em fazer o possível e nem sempre prometer. Aprendi a não oferecer aquilo que não tenho certeza que posso dar, e, ao contrário, oferecer somente aquilo que sei, com toda certeza, que vai acontecer. Aprendi a ter cuidado no que falo, afinal, contradições nunca são bem vindas. Aprendi a prestar bastante atenção em tudo, a revisar meus textos, minhas metas, meus atos! E continuo aprendendo, dia após dia...

Sei que nem sempre é bom criar expectativas, mas dessa vez é quase impossível deter o impulso, eu me aceitei como sou, com minhas inúmeras limitações, com meus defeitos sem remédio, com minhas qualidades irremediáveis, e sonho, com minha chegada e com minha partida, com cada fim de semana. Sonho com meu futuro e como o meu passado poderia ser. Sonhos utópicos, sonhos revolucionários, sonhos concretizáveis, sonhos inocentes, sonhos idiotas, sonhos descartáveis, são sempre sonhos e mesmo com todas as quedas e dores, há algo que - inexplicavelmente - ainda me faz sonhar!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Coração vazio, sertão quente. Canário bom, homem da gente.


Coração vazio, sertão quente. Canário bom, homem da gente.

No azul do lajedo
Que reflete a limpidez do céu
Permanece seco o arvoredo
Onde assenta o canário meu

Soltei o bichinho da gaiola
Pois me partia o coração
De manhazinha catava todo tristonho
Era o aperto e falta de companhia da prisão

À frente ele não achará milho pisado todo dia
Nem água limpa para se banhar
Mas tem o horizonte até perder de vista
E pode, pra onde quiser, levar seu canto

Da árvore seca e amarela olha assustado a sua volta
Parece não acreditar que sumiu as tariscas da gaiola
Olha só, não sabe pra onde ir de tanta alegria,
Quando pisco o olho, ele bate as asas e vai embora.

O lajedo azul ferve ao sol do meio dia
O canário, que nunca foi meu, retomou o seu destino
A gaiola na parede agora vazia
E de hoje em diante se passarinho pra mim cantar,
...vai ser canto de alegria!